Quer manter a forma? Mastigue!

12.11.12 :: 16:55. Arquivado em: Conversando sobre....

A princípio o título do post pode parecer estranho, mas acredite: muita coisa poderia ser diferente em nossas vidas se nós aprendêssemos a mastigar melhor.

A mastigação é o primeiro passo para a digestão dos alimentos. É na boca que os trituramos para que os alimentos sejam transformados em pedaços menores e possam então sofrer ação do ácido clorídrico no estômago, mas também onde algumas substâncias presentes na saliva começam a agir. O problema é que com a correria do dia-a-dia as pessoas simplesmente pulam essa parte. Já ouvi pessoas dizerem que gostam de comer a comida fria porque assim elas não se queimam ao engolir a comida de vez. Minha gente, isso não é legal!

Além de poder machucar o esôfago (que não foi formado com o objetivo de passar “tijolinhos” de comida por ali) isso prejudica todos os processos seguintes da digestão, atrapalhando também a absorção dos nutrientes. Nós não absorvemos proteínas, triglicerídeos ou amido. Nós primeiro precisamos quebrá-los para que estejam aptos a serem absorvidos pelo intestino. É como se os macronutrientes (o grupo que contempla as proteínas, carboidratos e lipídeos) fossem grandes correntes e nosso intestino só possa absorver cada elo da corrente separadamente. Para isso precisamos quebrar essa corrente, coisa que começa na boca!

Se não mastigamos direito acabamos deixando o estômago sobrecarregado para fazer o trabalho dele e aquele que deveria ter sido feito pela boca, mas não foi. Com grandes pedaços de comida no estômago elas ficam ali paradinhas por muito tempo, já que o trabalho para quebrá-las é maior, podendo fermentar e causar desconforto, principalmente se a refeição veio acompanhada de alguma bebida. Azia, refluxo, sensação de empachamento, isso te parece familiar? Pois é algo que poderia ser evitado se, por exemplo, mastigasse melhor.

Sem a digestão efetiva pelo estômago, no intestino não seria diferente. As enzimas não conseguem dar conta do que também deveria ter sido feito antes, o que provoca uma bola de neve. Como o intestino não reconhece a “corrente” como um nutriente apto para ser absorvido, ela pode provocar uma reação localizada que vai levar a inflamação e pode prejudicar ainda mais a absorção, lesar a mucosa intestinal, levar a deficiências nutricionais que podem, por exemplo, impedir a perda de peso por quem está fazendo uma dieta mesmo que aquela pessoa esteja consumindo as calorias na medida certa (porque para queimarmos gordura é necessário uma ingestão de calorias menor que o gasto, porém também é fundamental ingerir vitaminas e minerais que atuam no metabolismo energético, ou seja, controlam o gasto de energia), promover “estufamento”, gases, prisão de ventre, e por aí vai. E para ingerirmos essas vitaminas e minerais precisamos ingerir mais alimentos de origem vegetal (como as frutas, verduras e cereais integrais), que são ricos também em fibras, que nos forçam a mastigar antes de engolir os alimentos.

Com a mastigação mais demorada e, portanto, mais eficiente, estimulamos o estômago a produzir o ácido clorídrico para fazer a digestão (e para ativar algumas enzimas, que só funcionam se o estômago estiver ácido) e damos tempo do órgão enviar a resposta de saciedade ao cérebro. Com essa combinação estaremos contemplando várias das necessidades para o organismo manter a saúde.

Agora sempre que for comer lembre-se: a eficiência da minha mastigação pode dizer muito sobre como estará minha saúde depois da refeição. Pense nisso!





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Nós somos aquilo que comemos?

15.10.12 :: 15:31. Arquivado em: Conversando sobre....

Quem nunca ouviu falar “a gente é o que come”? Pois bem, essa afirmativa é apenas um quarto verdadeira. Por quê? Porque nós não somos só aquilo que comemos, mas também aquilo que digerimos, absorvemos e metabolizamos. Onde está a diferença da primeira para a segunda frase?

Quando subentendemos que nós somos apenas aquilo que comemos, cremos que ao comer algo saudável automaticamente nosso corpo estará aproveitando os benefícios daquele alimento, o que pode não ser verdade.

Os nutrientes contidos nos alimentos percorrem um enorme caminho até chegar a desempenhar sua função. Nesse percurso existem diversas variáveis que interferem em como e se o nutriente será corretamente digerido, absorvido e metabolizado. Se essas variáveis não estiverem funcionando corretamente (por falta de outros nutrientes, por exemplo) é bem possível que aquele alimento não faça o efeito esperado.

Essa abordagem é só para fazer entender que não adianta seguir dietas da moda ou consumir exageradamente determinado alimento com um enfoque de milagroso. Existem alimentos que fazem muito bem para nossa saúde, mas apenas se consumidos dentro de uma alimentação equilibrada. Pensemos na montagem de um carro, quantas e quantas peças são necessárias para que o carro possa funcionar? Que adianta se eu colocar 500 pneus no carro, mas ele não tiver motor? Ou se ele tiver motor, mas não tiver reservatório para combustível? O nosso corpo, de modo semelhante, precisa de uma série de nutrientes para funcionar bem. Não adianta sobrecarrega-lo de substâncias benéficas de um único alimento, é necessário o equilíbrio!

A partir daí fica claro porque uma dieta não pode ser generalizada para todas as pessoas, pois se o alimento da vez é o que fornece “motor” e a pessoa já tiver bastante motor, mas nenhum combustível, vai adiantar ela consumir mais uma fonte apenas daquele nutriente?

O nutricionista é o único profissional responsável legalmente e com nível de conhecimento suficiente para prescrever uma alimentação personalizada e adequada ao organismo dos indivíduos (o que não quer dizer que os demais profissionais de saúde não possam dar “dicas” ou orientações gerais sobre alimentação, mas o que, como, quando e a quantidade daquilo que se pode comer apenas o nutricionista poderá especificar).





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Mais um espaço pra vocês

09.10.12 :: 13:44. Arquivado em: Conversando sobre....

Olá gente!

Hoje trago mais uma novidade no meu site pessoal: o blog. Como blogueira com quase 10 anos de “experiência” estava demorando a surgir algo do tipo por aqui, mas o tempo foi necessário para amadurecer a idéia e reafirmar o desejo de escrever sobre algo que todos nós somos apaixonados: comida.

Muitas vezes, quando eu dizia para as pessoas que tinha um blog, a pergunta era automática: é sobre nutrição? E eu dizia que não. Durante a graduação, ou até pouco tempo depois dela, eu não sentia vontade nenhuma de falar sobre nutrição, achando que era aquela coisa metódica de medir, calcular e apresentar números que se enquadrassem ou não na recomendação. Quem ia se interessar em ler sobre isso a não ser nós mesmos da área? Estudando um pouco mais, assistindo programas de culinária (pois é!) lendo blogs de outras nutricionistas e me livrando desse pensamento preconceituoso percebi que a nutrição é usar aquilo que amamos – a comida – a nosso favor, como fonte de prazer, mas também de saúde.

Pensando assim, por que não compartilhar o pouquinho que sei e estou aprendendo com vocês? Achei que seria uma boa idéia, afinal cuidar da saúde nunca é demais. Também recebi pedidos de uma cliente para colocar fotos e passo-a-passo das preparações que recomendo nos cardápios. Portanto, o blog também vai servir como um incentivo aos experimentos culinários.

E para deixar claro, como minha colega Carol Morais falou (blog que eu curto muito!), nutricionista é gente como qualquer outra pessoa! A gente sente, deseja, tem vontade de comer todas aquelas comidinhas que todo mundo também tem vontade, mas o bacana é conseguir fazer desejável, por exemplo, um prato de salada, por mais simples que seja.

E quem quiser, me acompanha nessa jornada. Bora?





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